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São Gonçalo, Uma cidade em transformação
Sábado, 19/09/2015
Uma cidade de muitos substantivos que remetem ao sucesso: transformação, evolução, ebulição, inclusão. Assim é São Gonçalo do Amarante, que vem crescendo em ritmo chinês e é apontado como o novo eldorado da construção civil na região metropolitana de Natal.


A transformação já vinha ocorrendo ao longo da década passada, intensificou-se quando o Aeroporto Internacional Governador Aluízio Alves passou a operar, em 31 de maio de 2014, e poderá seguir em ritmo acelerado se o aeroporto for escolhido para ser o centro de conexões de voos (hub) que a TAM planeja implantar no Nordeste. De cara seriam criados 10 mil empregos, porque lá também vai ser montado um centro de distribuição dos Correios.
 
Aeroporto Governador Aluízio Alves deu impulso ao processo de desenvolvimento iniciado anos atrás com a melhoria dos indicadores de qualidade de vida

Preparado para os desafios o município está. E até conta com dois diferenciais importantes em relação aos concorrentes Recife e Fortaleza. O primeiro deles é a alíquota de 2% do Imposto Sobre Serviços (ISS); as concorrentes cobram 5%. Para o setor de turismo, o ISS é de 3%, enquanto as concorrentes cobram 5%. O segundo diferencial é a segurança hídrica para atender à demanda nos próximos 50 anos. “Com a crise de abastecimento de água em São Paulo, a construção de uma adutora para trazer água de Maxaranguape terminou se transformando num fator positivo para atrair o hub da TAM. Porque Recife é abastecida por uma barragem (Tapacurá) que está com menos de 20% de água. Fortaleza também. A água vem do Castanhão, que fica a 180 quilômetros de distância, e está hoje com menos de 20% de sua capacidade.”

A disputa é acirrada e tem mobilizado a classe empresarial e a bancada do Rio Grande do Norte no Congresso, além da Assembleia Legislativa. Neste mês de setembro a TAM apresentou um resumo dos estudos técnicos com os prós e os contras de cada uma das concorrentes, mas o anúncio do escolhido só será feito no final do ano. “São vários os critérios que nos dão vantagem nessa disputa”, diz o prefeito Jaime Calado nesta entrevista.

Na última estimativa populacional divulgada pelo IBGE, São Gonçalo tinha 98.260 habitantes em julho deste ano. O prefeito Jaime Calado acha que a cidade já ultrapassou a casa dos 100 mil. A densidade demográfica é de 352 habitantes por quilômetro quadrado, baixa se comparada com Natal (4.805) e Parnamirim (1.639), daí um dos motivos de o mercado imobiliário voltar suas atenções para este município que fica a apenas 15 quilômetros do centro de Natal.

Para disciplinar o crescimento, São Gonçalo conta com um plano diretor, discutido pela população e aprovado pela Câmara municipal. Além disso, conta com um plano estratégico de desenvolvimento urbanístico, uma espécie de Plano Palumbo (implantado em Natal na década de 1930) do Século 21. “O Masterplan é um complemento do Plano Diretor. Ele não acrescenta restrições. Ele faz o disciplinamento. Por exemplo: o plano diz que avenidas de acesso devem ter 24 metros de largura, avenida auxiliar tantos metros e avenida interna 13 metros. O Masterplan bota no papel o local onde essas avenidas serão construídas.”

São Gonçalo tem hoje 65 mil terrenos e edificações. Nos últimos anos o valor do metro quadrado teve alta significativa. A tendência é de continuar assim diante da perspectiva de instalação do centro de conexões aéreas.

São Gonçalo é um município jovem. Apesar de ter sido elevado ao status de vila (Vila Felipe Camarão, vinculada a Macaíba) em 1943, a emancipação política só foi conquistada em 1958, num pacote de decretos do então governador Dinarte Mariz, que incluía ainda Parnamirim, São Fernando, Lajes Pintadas e São Bento do Trairi.
 
 
Entrevista - Jaime Calado
Prefeito de São Gonçalo do Amarante

“Estamos investindo na infraestrutura e no social”

Diante da nova realidade, como a cidade está se preparando para o futuro?
A cidade está se preparando de diversas formas. Primeiro com uma legislação moderna. Nosso plano diretor tem tudo não só para preservar a qualidade de vida das pessoas, como cumpre toda a parte da legislação aeroportuária moderna para evitar que a cidade cerque o aeroporto, como aconteceu na maioria das nossas capitais. Temos também um plano estratégico de desenvolvimento urbanístico.

O que prevê esse plano?
 
Ele prevê, por exemplo, onde ficarão as grandes avenidas por onde, no futuro, vai passar o metrô de superfície. É um passo além do Plano Diretor. É uma espécie de Plano Palumbo mais atual para contemplar as exigências urbanísticas, que são bem maiores hoje. Esse plano, o Masterplan, feito em harmonia com o plano crescimento do aeroporto, contempla as demandas para os próximos 50 anos.

E a infraestrutura para atender a cidade diante da perspectiva de um crescimento acima da média?
 
Estamos instalando uma adutora de 43 quilômetros, que capta água no Rio Maxaranguape, para garantir o abastecimento nos próximos 50 anos. Quando a gente conseguiu aprovar esse projeto, em 2010, teve quem pensasse que éramos malucos. São Gonçalo realmente tem água subterrânea, mas não teria para garantir o crescimento que a cidade vem assistindo. A adutora está hoje com mais de 80% das obras prontas. Água para beber e também para dar suporte aos setores da indústria e dos serviços.

Entre 2000 e 2010, o Índice de Desenvolvimento Humano teve uma elevação de 27% em São Gonçalo. O que a prefeitura tem feito para melhorar os indicadores que medem a qualidade de vida da população?
 
Estamos cuidando da infraestrutura e do social. Reformamos 13 unidades de saúde, que não ficam devendo nada às clínicas privadas; construímos seis unidades-modelo e estamos construindo outras seis modelos. Não temos UPA.

E por quê?
 
UPA só tem indicação em dois casos: quando a saúde está um caos ou quando há uma quantidade grande de hospitais e, para que os pacientes não sejam encaminhados diretos para os hospitais, ela faz uma triagem na urgência. Em São Gonçalo, nossa UPA é o hospital administrado pela Fundação São Camilo. Só para você ter uma ideia: lá temos quatro médicos 24 horas por dia fazendo, em média, 8 mil atendimentos por mês, dos quais 140 partos e 65 cirurgias mensais. As outras UPAs não fazem nenhum parto, nenhuma internação e nenhuma cirurgia. Estamos lutando, junto ao Ministério da Saúde, por um hospital novo, de 120 leitos.

Como anda a política habitacional em São Gonçalo?
 
Conseguimos com o governo federal 305 casas e 1.800 apartamentos do Minha Casa Minha Vida. Antes existiam outros programas, como o PSH, Minha Casa Rural. Na habitação tivemos um avanço grande. Os 1.800 apartamentos devem ser entregues até dezembro.

A educação é, em qualquer tempo, prioridade dos gestores. Como está São Gonçalo nesta área?
 
Estamos lutando por uma melhoria na qualidade da educação desde o que em que assumimos. Conseguimos alguns avanços, mas nem tanto como queríamos. Antes, não havia nenhuma creche da Educação. A que havia era na Assistência Social. Então inauguramos uma creche-modelo e estaremos entregando mais quatro até abril de 2016. Construímos duas escolas com recursos próprios e colocamos para funcionar o polo da Universidade Aberta do Brasil, pública, gratuita e de qualidade.

São Gonçalo fica com o hub da TAM?
 
O investimento daria para fazer quatro fábricas de automóveis. É um empreendimento que vai gerar 10 mil empregos, atrair muitas empresas e muitos novos negócios. É um investimento que vai ter impacto na economia não só do município, mas de todo o Estado. O RN está fazendo o dever de casa. É um grande momento o que estamos vivendo e a classe política demonstrando maturidade. São vários os critérios que nos dão vantagem nessa disputa. Vamos aguardar. 
Fuente: http://tribunadonorte.com.br